A Bruta Flor do Querer…

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“Me ama ou me quer?”

Esta pergunta me foi lançada ao rosto alguns anos atrás, numa ligaçao telefônica que cobria milhares de quilômetros.

Atônito com a pergunta gaguejei: A…a.. Amo…

E, efetivamente, amava-a.

E embora estivesse me aproximando dos 40 anos celeremente, eu nao tinha muita noçao do que era, a despeito de inúmeras mulheres em minha vida, amar.

Acho que nao está claro, mas este telefonema foi um, de uma série de centenas, onde um casal, eu e ela, separados pelos medonhos abismos que as conveniencias sociais e religiosas, associadas a discriminaçao ao portador de HIV, se degladiaram entre o romper, ou nao romper.

Enfim, todas as possibilidades foram propostas, todas as cartas foram viradas na mesa, rolaram-se os dados, a bolinha rodou na roleta e, debalde, saí derrotado.

Mas no longo ano que durou este rompimento ela me acariciou muito com a voz doce e terna.

Amava-me, é fato, mas nao podia.

E queria-me, como eu a ela.

E o querer complica tudo quando se ama.

Amar, simplesmente, é uma coisa tranqüila, como um veleiro em Copacabana.

Amar e querer é uma coisa tempestuosa, como um trem descontrolado descendo uma montanha…

Mas, assim mesmo, ela me ensinou muita coisa e, se posso me dizer homem, o fato é que ela deu o acabamento a esta estrutura.

E me ensinou algo muito importante sobre o amar.

Amar é mostrar vivendo.

Hoje, passados anos e anos, eu ainda a guardo em um local especial e todas as noites ergo uma prece a Deus, pedindo por ela, porque, como dizia o poeta, “sao demais os perigos desta vida”.

Mas tive de superar a dor (cheguei a perder a sanidade mental) e me refazer a qualquer custo.

E me refiz.

Uma antiga namorada reapareceu e nós nos acertamos e estamos juntos há cera de 7 anos.

Ninguém me amou tanto como ela.

E ninguém, em toda a minha vida, mostrou isso, vivendo, como ela.

Aqui, do alto dos meus quase 45 anos, eu nao sei, como já disse, se posso dizer-me homem (ser é ser muita coisa); mas sei que sou amado.

E amo.

E procuro mostrar vivendo.

Se eu consigo… Honestamente nao sei.

Que valor teria tal testemunho vindo de mim?

Enfim é isso.

Estava desocupado e gastei alguns minutos a escrever bobagens…

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This entry was posted on quarta-feira, julho 23rd, 2008 at 19:52 and is filed under Os amores. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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