Flor

[ad#banner]

E do jardim de minhas memórias você desabrochou de repente, sem qualquer aviso. A sempre hippye Flor, que cultuava a lua e amava a natureza ressurgia, viçosa, no jardim de minhas memórias.

Foi a primeira mulher a quem possui na Noite. E longo foi o caminho trilhado até esta Flor. Formosa, tinha os cabelos cacheados e curtos, “a la homme”; os olhos, da cor de jade; o sorriso, um ninho de pérolas; os seios, pequenos e precisos; delineados por divino escultor; a tez, macia; a mesma tez, morena; os quadris, perfeitos; as pernas, delgadas; a voz, maviosa como a de um colibri… E a cada ponto e vírgula acrescente-se um suspiro meu… E para as reticências um salto do coração.

Foi paixão, notem que digo paixão, à primeira vista. Olhamo-nos, e quedamos apaixonados… Mas eu não sabia lidar com uma jóia tão rara. Tinha apenas 18 anos, ela 22, e era um jogo em que eu estava irremediavelmente perdido; não sabia o que dizer, o que fazer, como atrair aquela ninfa para meus domínios ainda não demarcados.

Ela se insinuava e eu não sabia tomar pulso. Ela se oferecia e eu não conseguia receber.

E assim ficaria se a experiência dela não a fizesse ver que eu era ainda um menino, e que ela precisava tornar em homem este menino.

Foi então que tudo mudou. Ela sumiu, não me procurou mais.

Cada madrugada sem vê-la era um infortúnio.

Cinco da manhã e lá estava eu, na rua, perguntando: “Você viu a Flor?” “Vi sim, mas já foi embora, me dizia uma voz qualquer que eliminava minhas esperanças..

Até que num domingo ela ressurgiu, belíssima, trajada com uma calça branca (ainda posso vê-la) e uma blusa toda estampada, leve, solta, sorridente e, à queima roupa, me perguntou:

“Está de folga hoje?”

“Estou”

“Então me leve pra casa. Você não quer saber como é a Flor?”

Eu tremi e disse sim; mais obediente que um poodle, completamente fascinado…

E nesta noite que quase não teve fim, eu conheci a Flor. Eu cheirei, bebi e beijei a flor. Eu possui e fui possuído pela flor; eu arrebatei a flor; eu fui arrebatado pela flor; e me desmanchei em prazer na flor, que me acarinhou por uma noite e me disse adeus no dia seguinte, afirmando que eu não teria futuro com ela; pois eu seria um homem de muitas mulheres, tal qual ela, que era uma mulher de muitos homens…

Quis argumentar alguma coisa.

Qual o que!

Não havia muito a dizer, ela estava certa.

Flor foi tua a primeira flor que eu colhi.

Muitas outras colhi depois; posto que me fizeste homem e jardineiro.

Mas de vez em quando me pergunto, qual o poeta: “Onde anda você?”

“Que rumos a tua vida tomou? Fostes feliz? És feliz? Ainda vives neste mundo?”

Se leres isso, me escreve, como quem não quer nada, para que eu relembre aquele perfume que exalava de ti…

 
icon for podpress  Alguem como tu [2:39m]: Play Now | Play in Popup | Download

This entry was posted on terça-feira, julho 15th, 2008 at 10:19 and is filed under Os amores. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

2 Responses to “Flor”

  1. J Aparecido Says:

    Romantismo a mil

    Senasacional!
    Virando livro, me ofereça um.

    Sucesso

  2. Cau Says:

    ofereço com certeza

Leave a Reply