Preta

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…e
depois de voar 10.000 quilômetros ela me deu uma grande desilusão…

No
começo senti tristeza.

Depois
raiva.


virou ódio.

Em
suma eu a amava.

Sentei
na cadeira da analista e tramei vingança.

Coloquei-lhe
rótulos.

Fria.

Cruel.

Impiedosa.

Frívola.

Sem
caráter.

Liguei
algumas vezes, é verdade. Mas ela identificava o numero como meu e não atendia.

Cheguei
a jogar o celular do outro lado da rua… Só para ter que ir buscá-lo e rezar
para que ainda funcionasse.

O
tempo passou e ela foi o foco de muitas sessões de análise. Confesso que não
chorei. Acho que já não choro mais. Nem pelo amor de uma mulher, nem por nada.

Mantive-a
aqui, no meu MSN. Mas ela nunca aparecia.

Eu
sabia que ela tinha me bloqueado. Mas achava que ela poderia mudar de idéia.
De certa forma ruminava a idéia da vingança.

Queria
lhe dizer poucas e boas.

Um
dia, por questões meramente marketeiras eu mudei meu MSN e puxei toda a lista
de contatos.

Ela
viu um nome novo e liberou.

Não
suspeitou que fosse eu. Quando a vi entrando on line a velha fúria tomou conta
de mim.

Olá!!!

Oi,
quem é você?

Sou
eu, o Cláudio.

Ah!
Tudo bem?

Sim,
eu sobrevivi a você e a sua piada.

Eu
sabia que você era forte e sobreviveria.

Sim,
eu sou forte, mais isso não te dá o direito a brincar com meus sentimentos
(eu começava a armar a tempestade).

Mas
eu não quis, juro que não.

Não?!

Não!


me contou a seqüência de desastres que se abateu sobre a vida dela desde que
chegara ao Brasil.

E
me disse mais:

“Quando
eu estava lá, sozinha, naquele continente, você apareceu me dando luz, força,
presença…

E
eu acabei apaixonando-me por você.

Eu
te amei e tudo o que eu te prometi era sincero, de coração.

Eu
queria que tivesse sido assim.

Mas
as coisas aqui rolaram diferentes e eu ainda me achei uma tola por ter me apaixonado
por você e, enfim,achei que era melhor não levar adiante.

Julguei
que você não me daria importância, que tudo acabaria em nada…

E,
para resumir, pediu-me que a perdoasse e que pudéssemos ser amigos. Eu já não
tenho conseguido guardar mágoa de ninguém, ainda mais de uma mulher bonita,
dei o caso por encerrado.

Não
sem uma lástima. O que poderia ter sido… (sempre o futuro do pretérito…)

E
o que poderia ter sido?

Não
sei.

E nunca saberemos.

This entry was posted on segunda-feira, julho 21st, 2008 at 09:42 and is filed under Os amores. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

One Response to “Preta”

  1. Elô Says:

    Esta música é muito bonita!! Gostei especialmente de estar nesta página!!! tudo de bom!!! grande abraço!!!

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