Sobre o Amor
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Nada mais justo que escolher um domingo, dia de desocupação e “dolce far niente” para falar de amor.
Com isso eu não quero dizer que o amor é uma coisa de vagabundos, é claro.
Mas pode ser colocado como um sentimento vagabundo. Ah sim, isso pode.
Mas a doçura do sentimento dá mesmo esta vontade de nada fazer e quedar-se a amar e, amando, nada mais fazer senão amor.
Ouvi em algum lugar que “o amor é estranho, descontrolado”; em outro, “que esta é a história de um amor como nunca se viu outro igual…”; mas adiante, ouvi a declaração: “pensa que aqui estarei te esperando ***hasta*** que tu decidas regressar…”; em mais outro ouvi que “a gente por amor põe a mão em cumbuca…”; em outro, ouvi que “… falta você em mim…”
Também li um poema, em castelhano, que não saberei replicar, que diz, mais ou menos assim
Ao perder-te eu a ti.
Tu e eu temos perdido.
Eu, porque tu eras o que eu mais amava neste mundo
E tu, porque era eu quem mais te amava neste mundo
Mas ao perder-te eu a ti, quem mais perde é tu.
Porque eu poderei amar a outras, tanto quanto te amei.
E a ti nunca amarão como um dia te amei.
Puro despeito.
Sempre encontraremos quem nos ame de maneira desvelada.
Mas estes parágrafos compilados assim, a esmo, dão uma certa medida do que é o amor.
O amor é uma bagunça de sentimentos, um caldeirão fervente de hormônios que nos leva a tudo, até mesmo ao ódio…
E, um sentimento que gera tantos parágrafos, poemas, canções, crimes passionais, suicídios, atos de loucura, insanidade, perversidade (quem não quis, algum dia, se vingar por amor?) é um sentimento que pode ser até mesmo perigoso.
Tenho medo que me amem.
Tenho medo de ser amado pela pessoa errada, por aquela que não sabe amar.
Porque se é preciso saber viver, é imprescindível saber amar.
Amar é se dar sem pedir nada em troca.
É ser feliz porque o outro existe e pode até não aparecer mais, mas existe, vive e está, de alguma forma, em algum lugar, feliz.
Amar é não impor condições.O amor é incondicional.
Como disse Djavan, “por ser amor, invade e fim”.
E é nesta doce invasão que termina com tudo, Com a razão, o nexo, a consciência de si mesmo que residem a delicia e o perigo.
O amor, per si, não é perigoso. Mas quem ama pode fazê-lo perigoso.
Até porque, em síntese, não sabemos amar e, menos ainda o que é amor.
Escrevi uma lauda tentando definir o amor e tudo o que fiz foi mostrar as nossas incongruências com relação ao amor.
Onde está, então, o erro?
No amor?
Não!
Está em nós, que não sabemos amar.
Eu, que amei muitas e fui amado por algumas, sei que nunca soube realmente amar. Não soube mostrar vivendo o meu amor e isso foi o fator determinante do caos emocional que esparzi pelo mundo que, finalmente veio colher a mim como última vítima…
De tanto amar, derramei lágrimas de muitas pessoas.
E por muito amar, derramei as minhas até que não sobrasse uma só, até que minha alma secasse por completo sua fonte de lágrimas. Já não sei há quanto tempo não choro
Por amor tentei me matar.
Por amor fiz chantagem emocional, bebi, menti, usei drogas, traí, fingi, ignorei prece
itos e condutas.
Sei amar?
Acho que não.
Sabemos amar. Creio que uns poucos.
E nada como uma tarde de domingo para refletirmos sobre isso, malgrado eu só esteja escrevendo numa terça feira…
Coisas do amor
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