A arte de amar

Virei enfermeiro!

Eu, que sou uma galinha para injeções, picadas, destros e tudo o que corta e pica me vi na necessidade de auxiliar minha esposa numa medicação injetável.

De manha ela aplica na barriga.

À noite eu aplico nas costas.

Confesso que tomei até certo gosto por fazer porque, em se tratando de uma pessoa a quem eu amo, sou capaz de qualquer coisa e, na hora de retirar o medicamento da ampola, entro em hiperfoco e não sobra uma bendita gotinha lá dentro.

Mas, quem diria.

Eu, que pensei que não teria ninguém para cuidar de mim recebi, de Deus, o encargo de cuidar de alguém que cuida de mim.

E convém não menoscabar esta confiança que Deus deposita em mim, pois se ele confia em mim, diante dos outros, para que eu realize esta ou aquela tarefa, resta-,e mostrar, diante dele, confiança em mim mesmo.

Mas todas as vezes que vou aplicar eu peço: Meu Deus, faça com que não doa.

E Ele me ouve a maior parte das vezes.

Vou chegando à conclusão que amar tem destas coisas:

Aplicar injeções na pessoa amada, mesmo que doam, para que ela possa continuar vivendo ao meu lado.

É complicada esta arte de amar!…

This entry was posted on sábado, agosto 30th, 2008 at 05:45 and is filed under Observações do presente. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

2 Responses to “A arte de amar”

  1. Rah Says:

    Parábens pelo blog ^^

    Translúcido, sólido e sentimental… =]

  2. Israela Says:

    É ilimitado o que se pode fazer, e algo improvável também, às vezes.
    Cuidar de alguém que vc ama, vira uma dádiva entre uma agulha e uma prece

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