Me ama ou me quer?

Me ama ou me quer?”

Esta pergunta me foi lançada ao rosto alguns anos atrás, numa ligação telefônica
que cobria milhares de quilômetros.

Atônito com a pergunta gaguejei:

A…a.. Amo…

E, efetivamente, amava-a.

E embora estivesse me aproximando
dos 40 anos celeremente, eu não tinha muita noção do que era, a despeito de
inúmeras mulheres em minha vida, amar.

Acho que não está claro, mas este telefonema foi um, de uma série de centenas,
onde um casal, eu e ela, separados pelos medonhos abismos que as conveniências
sociais e religiosas, associadas à discriminação ao portador de HIV, se digladiaram
entre o romper e o não romper.

Enfim, todas as possibilidades foram propostas,
todas as cartas foram viradas na mesa, rolaram-se os dados, a bolinha rodou
na roleta e, debalde, saí derrotado.

Mas no longo ano que durou este rompimento ela me acariciou muito com a voz
doce e terna.

Amava-me, é fato, mas não podia.

E queria-me, como eu a ela.

E o querer complica tudo quando se ama.

Amar, simplesmente, é uma coisa tranqüila, como um veleiro em Copacabana.

Amar e querer é uma coisa tempestuosa, como um trem descontrolado descendo
uma montanha…

Mas, assim mesmo, ela me ensinou muita coisa e, se posso me dizer homem, o
fato é que ela deu o acabamento a esta estrutura.

E
me ensinou algo muito importante sobre o amar.

Amar é mostrar vivendo.

Hoje, passados anos e anos, eu ainda a guardo em um
local especial e todas as noites ergo uma prece a Deus, pedindo por ela, porque,
como dizia o poeta, “são demais os perigos desta vida”.

Mas tive de superar a dor (cheguei a perder a sanidade mental) e me refazer
a qualquer custo.

E me refiz.

Uma antiga namorada reapareceu e nós nos acertamos e estamos juntos
há cera de 4 anos.

Ninguém me amou tanto como ela.

E ninguém, em toda a minha vida, mostrou isso, vivendo, como ela.

Aqui, do alto dos meus quase 43 anos, eu não sei, como já disse, se posso
dizer-me homem(ser é ser muita coisa); mas sei que sou amado.

E amo.

E procuro mostrar vivendo.

Se eu consigo…

Honestamente não sei.

Que valor teria tal testemunho vindo de mim?

Enfim é isso.

Estava desocupado e gastei alguns minutos a escrever bobagens…

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This entry was posted on terça-feira, setembro 30th, 2008 at 05:06 and is filed under Sombras do Passado. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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