Para Selma Guerreira
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São Pedro está de mal comigo.
O desocupado, não tendo nada melhor a fazer, mandou um raio sobre meu prédio e torrou meu computador.
Já comprei a placa mãe, mas falta o processador.
Enquanto isso, vou neste modesto laptop emprestado, tentando trabalhar (quase ipossivel) e, quando vem alguma inspiração, escrever alguma coisa.
O que me tocou hoje foi o comentário de Selma Guerreira, que deu a entender que se fosse diretora de uma editora transformaria meu blog num livro…
Seria a suprema realização, especialmente porque este blog é um livro onde conto as minhas memórias de um homem da noite.
Mas a Guerreira não é diretora e sua intenção vale mais que o possível gesto.
Selma também fala de minhas crises dos trinta e se engana, pois as crises são dos quarenta (já caminho celeremente para os 45 anos). Mas… Mas se ela me vê assim, talvez haja em mim algo dos trinta que insiste em permanecer vivo, mesmo que eu não perceba, e isso é bom.
Selma Guerreira, eu não tenho atualizado o site com constância. Muita coisa está acontecendo em volta de mim e se eu fosse escrever seria sobre dor, medo e desintegração.
Tenho evitado estes temas para não dar um ar inda mais melancólico à melancolia deste blog tão tristonho…
Enfim, a falta de minha máquina também colabora um bocado com isso e, pelo andar da carruagem, vou ficar sem ela mais um tempo.
Mas vou tentar escrever aqui mais vezes, para não fazer da sua espera uma coisa prolongada e até desistente.
Recebi seu comentário num sábado, mais ou menos às seis e vinte da manha e ganhei meu dia em saber que você leu o blog de “uma só sentada”.
Conte para os amigos.
O salário do ator é o aplauso. O do blogueiro são os comentários e você deixou-me deveras feliz nesta manha.
Beijo na ponta do nariz
Cau
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