Carta para Ana. Um amor impossível…

Triste passado…
Por fim, me separei da Teresa, que faleceu dois anos atrás, vitima do álcool e das drogas…
Não foi um fim de caso. Foi um Thriller.
Lances do mais alto desespero, escândalos em portas de boates, ameaças de suicídio, de homicídio, de tudo o que é “ídio”.
Mas acabou e, de uma maneira ou de outra, eu fui em frente.

Aqui há algo que eu preciso contar.

Lembro-me de ter estado com você num telefone público, ligando talvez para meu grande amigo Toninho (que Tb me faltou quando a AIDS veio), e estávamos abraçados.
Você me olhava e me despertava coisas.
A pressão do seu corpo contra o meu, meu sangue fervendo, os hormônios sibilando, a sexualidade exacerbada, a juventude!
Deus sabe quantas forças eu tive de mover para não arriscar ali o roubo de um beijo.
Mas… Mas, e se você correspondesse?
Lembre-se, eu reconheci você dentro de um trem do metro que passou por mim a 40Km/h…
Reconheci seus olhos e não tive dúvidas em correr atrás do vagão em que você estava porque eu tinha certeza que era você.
De alguma forma, no meio daquilo tudo, eu sentia que te amava!
Mas você estava noiva, prestes a se casar.
O que seria de nós três? Eu, você e seu futuro marido, se nós tivéssemos nos beijado?
Até onde, você e eu, teríamos ido?
Haveria volta para este caminho?
Eu não sei.
Mas sei que sabia que tudo o que eu tinha para te oferecer era a calamidade da noite e um thriller.
Por isso me obriguei a não beijá-la…
Certo, você poderia recusar… Mas nós não sabemos disso e eu, naquele momento, não sabia nada.
E, por fim, silenciei-me mesmo na estabanada despedida; eu não tinha nada a oferecer e você tinha uma vida já planejada (e que deu certo) pela frente…
Mas nunca a esqueci.
E sei seu nome de solteira até hoje
Ana Andres de Souza.
Impossível para mim esquecê-lo!
Hoje, ambiguamente, eu me arrependo e não me arrependo de não ter dado o beijo.
Não me arrependo porque este gesto permitiu que sua vida fluísse naturalmente e hoje você é esposa e mãe, tem uma família!
E me arrependo porque nunca saberei o gosto…
Mas para ter sabido o gosto eu poderia ter de ter pago um preço muito alto para nós…

E é isso, ainda hoje eu penso naqueles dias, e a prova maior é que eu te procurei até te encontrar, para pelo menos poder ter contado isso a você.

E, como eu disse, eu segui em frente. Não sem uma lástima, não sem uma lágrima.
Mas, a despeito de tudo eu prossegui e vivi a minha vida como Frank Sinatra:
I Did it my way!

Agora, por mais que os anos me pesem, que o HIV me complique os dias, que o medo me assalte eu conservo, sim, o mesmo sorriso.

Sou um otimista e penso em viver até os setenta anos.

Também estou casado, ela também porta HIV, conhecemo-nos na Internet e estou com ela há quase dez anos.
A idéia de criar o site foi dela.
Eu só pus mãos à obra.
Curiosamente, este site recebe a cada vez mais visitas e no pés passado recebeu mais de cem mil visitas!
Este mês projeto cento e vinte mil visitas.

É gente que eu vou ajudando e, quem sabe,desta forma, eu possa, sei lá, fazer com que deus me perdoe por ter sido um estabanado emocional e ter feito tanta gente sofrer.
Quanto a você, não se culpe, você não poderia fazer nada sem sacrificar seu futuro e eu não pediria isso a ninguém.

A propósito, a cirurgia de catarata será no dia 1º de outubro para o olho esquerdo e, se tudo correr bem, quinze dias depois para o olho direito.
Tenho muito mais a contar, hoje foi um dia de revelações para mim.
Depois de 17 anos eu reencontrei minhas filhas e, pode rir se quiser, já sou avô, tenho cinco netos!
Quando eu acordei hoje eu era apenas uma pessoa maios a Mara, minha esposa.
Agora eu tenho uma família inteira!

Any… No balanço das horas tudo pode mudar!

Beijos
DJ

This entry was posted on segunda-feira, outubro 12th, 2009 at 11:19 and is filed under Luzes do passado. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

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