Mais uma vez, meu pai
Mais uma vez, meu pai.
Tenho passado por alguns processos alérgicos e, por conta disso, tenho tomado, por minha própria decisão o Polaramine.
Pelo menos ele alivia a coceira.
Mas dá sono e mexe com algum dispositivo que faz a gente sonhar.
Sonhos vívidos, muito reais e que tocam sempre no meu passado.
O polaramine reaviva lembranças que estavam “bloqueadas”…
Tenho sonhado muito com meu pai e descobri o porquê de minha vida ser tão difícil quando tange a, por exemplo, ganhar dinheiro.
Meu pai me criou, pelo menos até os doze anos, quando eu fugi de casa, fazendo acreditar que eu não mereceria nada da vida.
Segundo ele, “nem para lixeiro eu serviria” e “acabaria como um marginal, porque eu era,,sempre segundo ele, um vagabundo”…
Eu poderia passar horas aqui escrevendo sobre as coisa que ele, meu pai, disse de mim, para mim e para os outros.
Mas não.
Dói demais…
E chega a ser incompreensível.
Por conta de acontecimentos que não vou esclarecer agora, neste texto, eu perdi duas filhas e fiquei mais de vinte anos sem as ver.
Quando elas me reencontraram eu mudei.
Minha esposa diz que eu mudei.
Meus poucos amigos dizem que eu mudei.
Minha psiquiatra diz que eu mudei.
Minha terapeuta diz que eu mudei.
E que mudei para melhor.
E eu mesmo sinto que mudei.
Embora hoje seja um dia triste e apagado, estou sozinho em casa, minha esposa foi a Santos levar sua mãe para sua própria casa, que é onde ela prefere ficar, e a casa fica vazia, muda, silenciosa, e só os obsessores e meus guardiões permanecem aqui.
Os obsessores troçam, os guardiões protegem…
Mas uma coisa eu sei.
Fiquei vinte e tantos anos sem ver minhas filhas, elas cresceram e nós não estivemos juntos este tempo todo.
E, mesmo assim, quando as vejo, grandes, mulheres feitas, bonitas, meu coração se enche de alegria e é tomado por um tipo de amor que eu desconhecia (!) que transcende a minha capacidade de sentir de uma forma inaudita, muito diferente da que eu sinto por minha esposa, que é a luz desta casa.
Baseado nisso, no amor que sinto pelas minhas filhas, que eu não pude criar, cria-se um paradoxo!
Meu pai teve a chance de me criar.
E me desprezou e espancou tanto que eu fugi!
Que tipo de homem eu sou?
Que tipo de homem é meu pai?
"Meu pai", assim minhas filhas me chamam…
Assim eu chamo "meu pai"…
Eu as chamo, cada uma a seu tempo, de filha, meu pai me chamava de filho da puta! E me dava pancadas…
Isso tudo é um labirinto muito complexo e eu não consigo vislumbrar o caminho para a solução deste enigma que, a cada dia, com ou sem polaramine, se torna cada vez mais indecifrável.
É de se crer que quando temos problemas, quanto mais informações temos sobre o problema, mais fácil se torna a resolução do mesmo.
Neste caso não é assim!
Quanto mais eu sei, menos eu entendo, e quanto menos eu entendo, mais triste eu me torno, porque, na verdade, eu queria muito poder dizer:
Pai, eu te amo!
Mas não posso.,.
Felizmente, tenho minhas filhas para me dizerem, meu pai…

março 1st, 2010 at 09:41
Hoje foi com que um passeio.Nos anos lá atrás.Seis para ser mais exata.6 anos.Algumas amigas minhas nesse espaço casaram,separaram,outros morreram,outros nasceram e mais uma vez venho cumprir meu pacto.De estar junto no teu aniversário.Mesmo que em pensamentos.
Mais uma vez me admiro diante de um texto seu.Da essência forte que você tem.Eu o conheci áspero,ávido por conversar e ao mesmo tempo arredio.
Hoje,eu descubro um Cláudio novo.É.Tu mudou.
E mudou pra melhor.
E com toda Ogrice(descobrir essa palavra por ti) ficou o avô mais ogro que conheço,se bem que no meu grau de amizade,só tu é ogro.O resto,alguns são babacas.
Diante de cada texto teu eu me rendo e admiro.Eu descubro a sensibilidade e a coragem de alguém que tenta fazer e consegue sua parte no mundo que vive.
Eu,fico feliz por ver que seu pai estava errado.(alguns pais também erram)E tenho pena dele não poder agora ver você embala pelo amor incondicional de pai.
Eu te chamo de meu amigo.
beijos,sempre aqui.