Uma pergunta sem respostas.
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Já tem um bom tempo que não escrevo aqui (isso foi extraído de outro lugar e de outro tempo, mas faz parte de minhas memórias).
E o fato é que tem me faltado tempo (graçás a Deus por ter trabalho) e um pouco de motivação também.
Ninguém diz nada, ninguém comenta e eu tenho a sensação que Villa Lobos tinha quando dizia que “compunha sua obra para a posteridade sem esperar resposta”.
Bem, Villa Lobos era um grande homem.
Eu sou um pequeno homem.
Solitário em muitas ocasiões, em que há verdadeiras multidões em torno de mim.
Hoje foi um dia assim.
Uma reunião de negócios, dois ônibus e não me recordo de nenhum rosto, exceto o da minha interlocutora durante a reunião de negócios.
Importa informar que nesta reunião eu estava mais para receber ordens que para emitir pareceres.
Mas isso não me diz nada.
Faço o meu trabalho da melhor maneira possível para mim.
Dou meu melhor. As vezes pode não bastar. Não sei…
Mas nunca soube ao certo como me conduzia pela vida.
Às vezes tenho a impressão que passei muito tempo em transe, sem muita noção efetiva das coisas que se passavam em volta de mim.
O fato é que este transe teve seus primeiros estágios ainda na infância.
Ontem eu ouvi uma palavra, já não lembro qual, mas ela me trouxe recordações.
Muitas vezes penso que meu espírito é um lago plácido…
Vez por outra alguém joga uma pedra e o lodo que repousa tranqüilo no fundo vem à tona.
Confesso que, muitas vezes, ainda criança, conheci o sentido de ser humilhado.
E confesso que venho mentindo a mim mesmo, todos os dias, fingindo que nada aconteceu, colocando um escudo de orgulho e impiedade, uma espada afilada e assim venho vivendo.
Mas… Bem, eu ainda não me esqueci do ultimo embate que tive com a morte. 20/12 > 21/12 Este período foi crucial.
E a Data é emblemática.
Só uma das pessoas que me lê pode compreender com toda a certeza o que digo aqui.
Alem desta pessoa eu penso que há mais duas, ou três, capazes de fazê-lo.
Ela sabe.
E é bom que saiba.
Não que siga aqui algum recado nas entrelinhas. Não há nada aqui além do que efetivamente está escrito.
E o que está escrito é que sou um lago aparentemente sereno que contém muito lodo no fundo.
Algumas vezes eu penso que ainda estou dentro de um trem, dormindo, tiritando de frio e que tudo isso não passa de um pesadelo prolongado e que se prologará até o vigia da ferrovia me descobrir.
Antes fosse! O fato é que este carrossel de dores, mágoas, remorsos, iniqüidades, e todo o resto do que sou eu não vai parar de rodar, não antes de tudo se consumar.
E eu não sei, enfim, o que é que o futuro guarda para mim. Sobre deus , não tenho queixas.
Ele tem posto as pessoas e oportunidades certas em meu caminho, e mesmo você, que me entende profundamente (aqui sim um recado), teve uma razão de ser em minha vida.
Mas isso poucos, na Terra, saberão ao certo.
Bem, eu tenho a impressão que tento dizer muito e não digo nada.
O fato é que estou cansado.
Tenho uma mulher que me ama e eu a amo, sempre a meu modo, um pouco confuso, de amar.
Isso me alenta e aquece os dias, quando estão frios, e os refrigera, quando estão quentes.
Pouco mais que isso precisa um homem comum.
Mas, eu pergunto a mim mesmo:
Sou mesmo um homem?
E, em sendo um homem, sou um homem comum?
Estas duas questões fazem amor todos os dias e todos os dias elas geram outras questões, todas irrespondíveis.
Acho que é isso o que eu sou:
Uma pergunta sem respostas.
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